sábado, 15 de dezembro de 2012

Devaneios do âmago

Eu não sei o que eu quero, eu quero me reinventar, cansei de sussurros, quero estar na rua e gritar, estar em casa e gritar, quero ser livre, ser forte, ser grande, me sentir gente grande, me sentir mulher, não uma garotinha, não mais, eu não sou uma garotinha, mas ás vezes eu quero ser, ás vezes é bom, garotinhas são cuidadas, ninguém, não sinto ninguém, eu quero sentir, ver, experimentar, andar, girar, voar, mas me amarro, com medo, receio, incerteza, quero estar perto e estar longe, quero estar sozinha e no mundo, viver, viver, viver, quero você hoje, me quero amanhã, mas hoje, é hoje, o que vem amanhã?  eu quero saber, quero ver, quero aprender e entender, entender o quê, eu não sei, nunca soube, eu só tento, tentar não é nada, então eu faço sem saber ao certo, vem um gosto amargo, espero o doce, a alma clama, se desespera, se aquieta, quem eu vejo agora não se parece com a imagem, mas eu conheço bem, de longa data, bom e mau, infinita questão, quem sabe a resposta? fazer o certo, fazer o errado, juíza e carrasca de si mesma, suposições, quero outro copo, outra noite, outro sonho, sentir paz e o nada e quero tudo, quero demais, demais é pouco, até agora é muito pouco, tudo é muito pouco, então mais, quero mais, quero o bastante, não existe bastante, não existe o que eu quero, existe o agora.


      "Ser mau é tão insensato e auto-destrutivo quanto ser bom." Friedrich Nietzsche


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Da amizade verdadeira


E eis que quando a saudade mais aperta o universo te manda um anjinho só para te lembrar de como a distância é um conceito relativo, um anjinho que fala numa mensagem de voz: “quengaaa to indo pra Londres, decidi agora, vou comprar a passagem”. Acho que meu prazo de validade são exatos 5 meses, minha despedida no Brasil foi 15 de junho e sua chegada inusitada aqui foi 15 de novembro.

Não teve choro... estranhamento... surpresa... diferenças evidentes... nada, acordar com você e tomar café era algo que parecia mais habitual do que nunca e o choppinho na Piccadilly Circus não tinha qualquer diferença de uma ida a Lapa pós-trabalho.

Conversas, passeios, noitadas, comidinhas estranhas, trocas de ônibus, dancinhas sem se importar com quem estava do lado, isso é ter uma melhor amiga, é se sentir confiante e sem medo de julgamentos, críticas, opiniões sem argumentos, é se sentir bem em qualquer lugar porque ela tá com você, é querer poder dar qualquer presentinho ou agrado porque quando ela tá bem você também está, é mesmo morrendo de saudade você ficar feliz porque não vai vê-la hoje porque ela foi encontrar o amor.

Foi rápido demais, foi bom demais, você continua longe e continua perto, e isso nunca vai mudar, 5 meses, 5 anos, 5 dias... sempre que você chegar vai ser como se o nosso cotidiano fosse acordar junto todo dia e escolher se quer mel ou presunto na torrada, ou os dois..rs!

Boa viagem, amo você! 


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aquele velho amigo

Todo mundo culpa o pobre do coração... a verdade é que pragmaticamente, tudo está na nossa cabeça... culpar o coração é só uma forma de achar um criminoso perfeito e sem álibi para os nossos atos de estupidez. Talvez porque se de fato creditarmos tudo isso à nossa lúcida mente, nos sentiremos mais próximos da insanidade do que nossa zona de conforto permite.

Uma mensagem sem resposta, “porque o idiota do coração me fez enviar aquilo”, uma saudade que insiste em continuar “coração inútil, nem para esquecê-lo”, uma tristeza que não vai embora “meu coração tá apertado, não sei explicar”, uma alegria estúpida e indesejada vinda de uma conversa trivial “meu coração palpita quando ele fala comigo”, uma escolha sem argumentos válidos “estou apenas seguindo meu coração”...

Pobre coração... nós o culpamos e ele continua lá... espremido até a última gota, bombardeado por emoções que não sabemos explicar, o levamos até o fundo do poço e queremos que ele esteja de prontidão para a próxima aventura, seja um dia ou um ano depois, nos colocamos voluntariamente, ambos, mente e coração, em um turbilhão sem previsão para acabar, e fazemos isso rindo e chorando... uma vez após a outra... até uma exaustão nunca encontrada.

É meu amigo vamos lá... desculpe-me, mas acredito que será assim ainda por muito tempo, eu e vc, repetidamente, com velhos e novos personagens, nesse cotidiano de loucuras!

Só há uma diferença entre um louco e eu. O louco pensa que é sadio. Eu sei que sou louco.” Salvador Dalì


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Meant to be

Já sorri, chorei, cantei e gritei, fiquei bêbada, dormi de exaustão, tive noites de insônia, trabalhei de vendedora, de designer e assistente de fotografia, me senti um pontinho no meio do nada, e senti como se eu fosse invencível... conheci pessoas legais e já percebi quem não é tanto assim, meu “santo” é forte e ele parece estar mais presente do que nunca, orei e praguejei, estou distante fisicamente, me sinto perto de mim, quem eu amo e me ama de volta eu levo comigo e isso conta muito... sinto o que está por vir e não tenho medo, sempre soube que não seria fácil, talvez por isso não esteja sendo tão difícil, não soube o que quis para o amanhã e já decidi onde quero estar em 2 anos... senti uma satisfação que nunca tinha sentido antes e não quero senti-la só uma vez... me organizei, me diverti, me estressei, me surpreendi, me esforcei, me cansei... Vivi.

Três semanas de Londres... três semanas do início de uma vida completamente nova... parece nada, parece menos que nada... De uma forma estranha esse lugar parece conspirar ao meu favor, será que é sorte de principiante? Espero muito que não... e que sim, seja apenas o universo no seu mais sábio sincronismo.


       Símbolo e foto que significam mais do que eu posso explicar em 1 simples texto

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Life goes on


Será que eu consigo um tempo para escrever uns 4 parágrafos?! Não tenho certeza...

Como tudo é corrido aqui, os dias voam, as pessoas correm, as mudanças acontecem tão naturalmente que ou você se acostuma ou a vida te força, e como eu não sou de nadar contra a maré, aqui estou... acordando cedo para por minha meia calça e cachecol, pegar a bolsa de mão e a bolsa com comidinha e água, e sair em direção ao trajeto bus+tube soltando fumacinha pela boca para chegar ao meu novo trabalho.

Vida em Londres oficialmente iniciada, trabalho, casa, happy hour no pub, celulares prontos para ligações locais e internacionais, ­­meia térmica, todos as obrigações oficiais devidamente agendadas, acho que só está faltando uma pausa para descansar a mente, ou pelo menos adaptá-la!

Se eu estou feliz? Sim. Estou exatamente onde queria estar há mais de 2 anos... agora a tarefa é se encaixar, acostumar, descansar um pouquinho e deixar a cabeça entender o que está acontecendo, curtir, e começar a planejar onde eu quero estar daqui há 2 anos, e aí, com os planos definidos é só começar a correr atrás ;)

É, não foram exatamente 4 parágrafos, talvez depois que eu descansar um pouco eu consiga 5 ou 6...rs

                         "Liverpool Street Station, o fim da minha viagem matinal"

domingo, 16 de setembro de 2012

Confirmação


E como não poderia ser diferente... o primeiro post de setembro confirma o anterior!
Sim, acabou! Amanhã eu assino pela primeira vez como uma italiana legítima! E nossas passagens para Londres já estão compradas, logo, em menos de 2 semanas, será nossa mudança “definitiva”... Ou a primeira delas!rs

Vai ser um pouco estranho não ter mais a sensação da “espera”; um ciclo de 2 anos e meio se encerra, e ao mesmo tempo é um alívio e um friozinho no estômago, conquista e temeridade, sonho realizado e sonho que se inicia. Uma história que se encerra e várias páginas em branco bem na minha frente, que representam um novo capítulo com uma numeração indefinida.

Finjo saber o que me espera no futuro, mas a verdade é que não sei, posso ter planos, desejos, mas como qualquer outro ser humano ordinário, eu simplesmente não sei, e ter consciência disso e não se amedrontar é algo que tem ser trabalhado diariamente! Às vezes eu sinto algo que só consigo comparar ao me visualizar correndo e saltando de um penhasco! No bom sentido...se é que há...hahaha

Esse tempinho que resta já está criando seu jeito próprio, já tem gosto de reencontro, amizades confirmadas, descobertas do que já estava aqui ao lado, um olhar plácido de reconhecimento e gratidão, sabor de fim de viagem e de até breve. F
uturo... presente... futuro... presente... não quero pensar muito agora, o importante é que amanhã é dia de comemorar!  Ci vediamo a presto



“Now time has a very different look; it is no longer the conquering present capturing the future; it is the present conquered and captured and carried off by the past.”                        MK - Ignorance

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Epílogo


“O meu tempo na Itália está próximo de chegar ao fim...”

 Não é uma constatação, nem uma frase pesarosa, e muito menos uma tentativa de exprimir sentimentos negativos ou vontades inerentes, é apenas... uma sensação! Sem demais explicações, motivos, necessidades, perspectivas... ela brota sem aviso, sem pretensão e eu apenas a transformo em palavras.

Apenas sentir... pessoas, períodos, cidades, situações... constatar que isso acontece e dar vazão verbalizando-as, não necessariamente em público, apenas para você, que depois de tantas experiências aprendeu como ninguém a seguir sensações, interpretando-as como um alerta, um momento de escolhas, uma mudança de atitude, uma observação, uma lembrança ou apenas para ela criar consciência e passar a fazer parte de você.

Essa frase me veio essa semana e chamou a minha atenção... não que eu precise fazer algum tipo de escolha; estas, em mim, já foram feitas e traçadas dos últimos 2 anos até os próximos 2, pelo menos. Mas motiva a imposição de um ritmo final, mais forte e mais rápido, um querer que agora tem sabor adocicado, uma determinação para fazer melhor apenas o que já estava no roteiro.

É o momento de olhar esta fase e relembrar o checklist que existia para ela... humm... quase completo... mas ainda tem tempo para o que falta... agora eu só preciso esperar e apreciar, sem tédio ou angústia, com uma motivação nova que aponta na mesma direção e pede por velhos e bons hábitos, e os faz se apresentarem tão bem quanto qualquer novidade arrebatadora faria,  mas com uma pitada de ansiedade para acompanhar.

Esse texto não quer dizer muito para quem lê, não quer dizer muito para mim, apenas nasceu porque eu senti vontade de escrever a minha frase, e ela sentiu vontade do parágrafo seguinte, que sentiu vontade de um acompanhante para não parecer bobo, que sentiu vontade de um final que fizesse ele sorrir.

Sabe mais uma coisa que eu ando sentindo... vontade de me apaixonar...



  olhar P&B

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Uma questão de ponto de vista

O que falar desta última semana, exatamente de sexta-feira (17/08) a sexta-feira (24/08)? Estou com uma crise ferrada de sinusite, que inclui dores de cabeça, maxilar e pescoço; o calor aqui na Itália está torturante e horrivelmente seco, não chove aqui desde abril; tenho dormido mal, obviamente; discuti com alguns amigos essa semana; já perdi dinheiro, dando bobeira, e continuo sem ter previsão de data para planejar minha vida, que esperávamos que fosse ainda em agosto!

Agosto mês do desgosto? Absolutamente não! Na verdade esta semana foi incrível!! rs... por isso decidi comentar sobre ela. Engraçado como as coisas mudam dependendo do ângulo que você as observa, e enquanto eu estava pensando nas coisas boas que aconteceram achei curioso poder ao mesmo tempo fazer a listinha colocada aí em cima.

Uma amiga veio nos visitar, chegando sexta-feira passada, e devido a este episódio “isolado” alguns fatos se desencadearam no decorrer da semana. Conhecemos 3 cidades novas: Lucca, Volterra e Florença, recebemos propostas de emprego, e nossa moradia em Londres está garantida mesmo sem termos data exata para a mudança, ao mesmo tempo em que ajudamos ela a encontrar casa em Londres, que ela já procurava há 2 meses sem sucesso tendo que se mudar semana que vem.

Tivemos pic nic, passeios, festa medieval, degustação de cervejas e comidas alemãs (que ela trouxe de brinde), jantar e sessão de cinema, praia com um pôr do sol indescritível, resoluções de problemas, renovações de expectativas, criação de outras novas, conversas agradáveis, novos e bons contatos feitos, lembranças boas e eternas. E isso em apenas uma semana, de fato, excelente!

Gosto de viajar nos meus pensamentos... será que as coisas teriam acontecido se não fosse o primeiro fato isolado ter iniciado o processo delas? O que aconteceu de importante aconteceria de qualquer forma apenas encontrando outro caminho? O quanto nós somos agentes dos eventos que dão continuidade ao nosso dia a dia? O quanto somos apenas instrumentos? Coincidências, sincronismo, encontros...

Acho que fico um pouco no meio termo, me parece óbvio que tudo que acontece comigo está ligado às minhas ações e escolhas, mas ao mesmo tempo gosto de ver as “coincidências” e os acontecimentos que se desenrolam devido a elas. O importante é estar aberto a ter essa visão e utilizá-las da melhor forma. Encaixar-se no sincronismo que nos rodeia.

O que é que tinha na lista ruim mesmo? Acho que vou ter que ir lá em cima reler. ;)


                                   Uma pena que a foto só capte um décimo da beleza real

sábado, 11 de agosto de 2012

1 ano depois...


Sabina ao despertar esta manhã riu de si mesma com seu primeiro pensamento. Há quanto tempo ela não pensava nele? Não saberia responder, mas hoje, ao acordar, a imagem dele apareceu em sua mente mais forte do que a doce lembrança enevoada a qual ela tinha se habituado nesses meses de distância. Ela resiste a se levantar de prontidão e permite que sua imaginação passeie um pouco mais, porque ela sabe que durante o dia, como juíza de si própria, esses devaneios não mais lhe serão permitidos.

Um ano... há exatamente um ano ela acordou como hoje, mas não sabia que estava há algumas horas de se apaixonar violentamente, de novo sorri, será que ele sabia que no mesmo dia em que se conheceram ela já se viu apaixonada?não...rs ele não poderia saber, e apesar do que aparentava, sua confiança não chegava a esse ponto...não com ela, nunca com ela.

Poderia o universo pregar esta peça uma segunda vez?... não, ela não espera por isso, Sabina se impressiona dia a dia com sua capacidade de ficar tão bem sozinha... seu pensamento volta para ele... aquele sorriso, aquela espontaneidade, como eram bons aqueles dias, aquelas conversas, aqueles toques... saudade, ela verbaliza o sentimento, ela sente saudades daquele momento único que ainda não mereceu ser esquecido!

Um ano... em sua peregrinação mental ela passa pelo 1º dia...pelo 2º, aquela manhã, aquela noitada, aquele jantar, aquela ligação embriagada, aquela msg de saudade, aquele olhar de desejo, enfim, a todos os dias que sua memória lhe permite chegar, e com isso vem as brigas, as desilusões, as promessas quebradas... o fim, como foi doloroso para ela aquele fim...será que foi para ele também? Recorda-se das amigas falando na época,
“sofrer assim faz o resto não valer a pena”... Que absurdas. Ah como valeu, e um ano depois, continua valendo.

O que ele estaria fazendo agora? Ela finge se importar... faz parte da fantasia pensar em como seria o agora se ele ainda estivesse tão perto. A verdade é que ela não sabe mais o que é feito dos dias dele, e não procura saber. Esse choque de realidade a faz abrir os olhos e pensar na roupa que irá vestir para seu primeiro compromisso... facilmente os risos recordados dão espaço à conversa do dia anterior, os beijos à lista do que deve ser feito, e ele... ela sorri novamente, como era delicioso estar com ele... como foi delicioso esse mesmo dia há 1 ano atrás...e enfim ele dá espaço à ela, que volta a si, levanta-se e começa sua rotina, sem fingir que se importa ainda, mas satisfeita com seu breve momento revivido.



"Espantava-se de que, depois de tanto tempo, ainda fosse perseguida pelo mesmo instante perdido" MK

Textinho inspirado por essa frase de Kundera, dita pela personagem Sabina! E também por um algo a mais... 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

London London

Há uns 2 anos atrás eu tracei um plano... "Eu quero morar em Londres". Parece um pouco loucura afinal eu nunca havia estado nessa cidade, e após muitas conversas com meu amigo-irmão (Glauquito), que mora aqui a 3 anos, eu já me apaixonava pela ideia. 

Eu escrevi aqui?! rs É finalmente eu vim conhecer essa cidade tão esperada por mim, após uma tentativa frustrada ano passado eu não aguentei esperar mais um pouquinho - ainda estou morando na Itália e terminando minha cidadania - e vim conhecê-la. Essa cidade me chama, só alguns louquinhos como eu devem entender isso...rs Não tem muito mais o que explicar, ela me chama e só!

Vim passar 10 dias agora, aproveitar alguns amigos na cidade, as Olímpiadas, a viagem do meu irmão, entrega de alguns trabalhos, hospedagem garantida, enfim, muitas coisas convergindo para que eu finalmente viesse...e qual a minha impressão daqui? Londres é incrível, é o meu melhor que eu pude resumir. 

Não resumindo eu já posso ficar algumas horas falando... as ruas tão limpas e agradáveis com seus ônibus vermelhinhos e cabs estilo antigo, as praças cheias de turistas e locais que aproveitam cada pedacinho da cidade no verão, os parques e a sensação de segurança e familiaridade, os monumentos descobertos a cada novo passeio, os museus e suas incríveis coleções, a educação de cada funcionário que te ajuda ou de cada pessoa anônima que esbarra em você na rua e sorri com o seu habitual "sorry", os pubs e suas peculiaridades, o mercado de Covent Garden com apresentações de artistas de rua, quanta gente bonita "Essa cidade é florida", o Rio Tâmisa e sua tranquilidade imponente, os muitos muitos imigrantes criando uma multiplicidade ímpar, o silêncio dentro de um vagão de trem no horário de rush, a organização e a pontualidade britânicas...enfim...só estou aqui há uma semana...rs

Não sou nem de longe alguém que acredita em contos de fada, problemas e vantagens todo lugar possui, mas alguns fazem mais diferença na nossa vida.
Um dia voltando para a casa com o Glauco eu estava no 2 andar do ônibus, que parou em um sinal, e para cada lado que eu olhava via uma vista incrível...ao mesmo tempo o meu amigo deveria estar perdido nos mesmos pensamentos e disse "Essa cidade é foda", eu pensei e falei... "É e daqui a pouco será a minha cidade também" =)



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Da série “Coisinhas mais que italianas” - 2


“O Piquenique na Torre” – pegar uma canga, comidinhas, vinho, baralho ou violão, e apreciar a Piazza dei Miracoli! Muitos grupinhos de amigos largados ao longo do gramado curtindo a noite fresca e a beleza da Torre! Programinha mais que agradável!

“A Empolgação + a Falta de Ritmo” – balada com músicas velhas, ou que não combinam, tipo Michel Teló seguido de Queen... mesmo sem ritmo para dançar eles não param um segundo, divertem-se freneticamente com os braços para cima e descendo até o chão desengonçadamente... homens ou mulheres, heteros ou gays, jovens ou mais velhos, todos com um sorrisão no rosto e pulando com os amigos sem se preocupar se estão dançando bem ou rebolando demais! Divertidíssimo =D

“O DJ animador” – o DJ não está nem aí se para a música da moda, se a musica será bruscamente interrompida para ele colocar outra que não tem nada a ver com a anterior ou se é só para ele falar algo. Eles fazem o que querem, falam no meio das músicas coisas aletórias, “Vamos lá galera, animação!”, trocam as músicas com períodos de silêncio intermináveis,  

“A Siesta” – não tente almoçar em um restaurante às 13h ou 14h porque ele estará fechado!rs A não ser que seja em um local muito turístico, como exatamente em frente à Torre, e só alguns permanecem abertos o dia todo, no geral o comércio fecha de 13h as 16h, almoço + soninho...tá certíssimo!

“Fim de Night no chão da praça” – como no inverno é quase impossível ficar de bobeira ao ar livre os italianos apreciam muito ficar pela rua durante as noites de verão... dar um “giro” pela cidade é o programa preferido em Pisa, “Nos encontramos na Piazza Garibaldi, depois vamos na Vettovaglie, podemos passar pela Piazza Beluomo, e fazemos uma hora para ir na Cavalieri”, é o convite usual para uma noitada..rs Noitada esta, que as 3h da manhã acaba na Praça principal da cidade (Cavalieri) com todos sentados pelo chão ouvindo músicas tocadas pelos estudantes mais desinibidos e negando a cerveja “fresca” dos indianos, que normalmente apresenta a agradável temperatura ambiente, de 35o graus.

                               A Torre à noite, depois de umas taças de vinho

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Trivialidade


Estou sozinha... momentos de reflexão... olho pro teto... cabeça gira... vai em um dia, volta numa conversa, passa um pensamento novo, uma imagem velha, vem uma vontade, em segundos ela vai embora, eu quero... mas não quero assim... ai que saco, agora não quero mais... Vou sair hoje. Vou ler um livro. Vou ver um filme. Deveria sair. Quero ficar sozinha. Os outros estão esperando. Não quero chatear ninguém. Seja normal. Faça o que esperam. Seja trivial. Esquece, não dá. Pessoas... amigos... romances... família... conhecidos... tanta gente, tanta coisa, tantas expectativas. Porque estou pensando nisso agora? Eu só tinha que pensar se saía hoje ou não... ele está esperando que eu ligue, mas nem era dele que essa dúvida se tratava... mas ele está esperando...odeio esperar... mas eu não espero mais nada... porque ele não podia fazer o mesmo? agora perdeu a graça... agora eu não quero mais. Me sinto culpada. Me sinto bem. Me sinto sozinha. Me sinto bem. Me sinto com obrigações. Me sinto mal. Me sinto egoísta. Me sinto confusa. Ligo ou não ligo... eu não quero, amanhã penso nisso... Estou ansiosa. 1 semana... país novo... amigos velhos... novas expectativas... e o hoje? volta o hoje, 1 semana é daqui 1 semana... Penso no compromisso proposto... penso no amanhã, compromisso marcado, e depois de amanhã, mais um compromisso,desejado... e o compromisso que deveria estar no itinerário...deveria porque? eu não quero... dar satisfação... não quero também... conversa de ontem... fascinante... alguns dias são fascinantes, outros não... Hoje foi só um dia tranquilo, quero dias tranquilos. Ninguém parece querer um dia tranquilo... Telefone toca, não atendo, não reconheço o número. Não to com vontade. Deveria atender. Não quis, já passou. Podia ser ele em outro tel, menos mal. Podia ser trabalho, droga. Podia ser aquele cara chato, menos mal. Podia ser engano. Podia ser importante. Nenhuma ligação que só merece uma chamada é tão importante. Esqueci já... Penso na mala. Penso na praia. Penso em dinheiro. Penso em comida...droga de dieta... Tenho saudades. Passou. Não dá pra ter toda hora. Momentos bons. Momentos ruins. Todos passam e voltam... Penso em ontem. Penso no ano que vem. Penso no ano passado... Tô online. Tô offline. Tô online. Conversa nova... amiga velha, ela me conhece... solução ideal, foda-se.

Céu de Monet

terça-feira, 24 de julho de 2012

Dos sonhos e saudade

Que noite conturbada hoje...

Ontem fui dormir bem cedo para o meu normal (23h) e sonhei... sonhei... sonhos tensos e demorados, acordei umas 2 vezes com o coração acelerado e a noite teve fim com um último sonho, demoradamente especial.

Para quem não sabe eu tenho uma ligação muito forte com os meus sonhos, que acontecem das mais variadas formas... daqueles bem loucos aos mais reais, passando pelos precognitivos... no geral eles são, no mínimo, bem representativos.

O meu sonho especial desta noite foi com uma família muito querida por mim, que agora está distante, mas eu sei que ainda vamos nos encontrar muito nesta vida! Eles fazem parte de uma fase muito especial de descobertas e aprendizado, e o mais importante, de autoconhecimento...
depois das nossas conversas regadas a vinho e nossos feriados em off na mata eu nunca mais fui a mesma, ainda bem! =)

Não foi exatamente um sonho tranquilo e feliz não... mas estávamos juntos, e o melhor, foi um sonho bem real... acordei com a sensação de que passei horas a fio na presença da minha amiga amada, as conversas, gestos, manias...tudo estava lá, exatamente como ela é! No fim, resolvemos a situação problemática, e assim que isso aconteceu eu acordei...

Já conversei com ela hoje e contei do meu sonho, e por surpresa, ou não, meu sonho teve a ver com um momento atual deles. Nos falamos quase todo dia na verdade, e há alguns anos já não moramos na mesma cidade. As saudades não vão passar, mas se der pra de vez em quando nos encontrarmos assim, por telefone ou por sonho, nos divertindo ou enfrentando um problemão juntas, está ótimo!!! Afinal, o amor de verdade continua igual mesmo sem a proximidade física!!

Saudades...


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Um pouco de constatação


Preocupação... Medo... Felicidade... Saudade... Melancolia... Tristeza... Ansiedade... Satisfação... Impaciência... Liberdade... Frustração... Bem estar... Relaxamento... Desejo... Tédio... Esperança... Mau humor

Percebi que nas últimas 48h pelo menos esses sentimentos/sensações listados passaram pela minha cabeça. Chutaria uma possível TPM se alguém me contasse isso, mas não, é o simples fato de estar numa situação nova sem saber ao certo o que virá pela frente, adicionado a uma boa dose de distância de 95% dos meus amigos e familiares.


Essa semana eu conversei com um amigo querido, mas não tão próximo, sobre como nossa mente nos prega peças, ela se apaixona e desapaixona, se ofende e se ilude, se deprime e se alegra sem precisar de nenhum estopim, a única necessidade real para que isso aconteça é a nossa permissão para que ela passeie e alimente esses pensamentos. Mas quando esse estopim acontece, a rapidez para bloquear a enxurrada de pensamentos negativos vira emergencial!


Tive duas situações recentes que desencadearam essa onda de altos e baixos, e por mais de dois dias eu não fiz nada e deixei minha mente livre para alimentá-los... Hoje, eu decidi que isso não iria me ajudar em nada, pelo contrário, na minha atual situação tudo fica mais intenso, mais rápido, mais perigoso. Aqui cada momento deve ser vivido intensamente e policiado à altura. 


Meu refúgio, mais uma vez comprovado, sou eu e nada mais... 
fico feliz com as mensagens trocadas com os amigos, com a possibilidade de ligações e futuros encontros, mas fico feliz por saber que hoje eu não preciso chorar com alguém ou desabafar, ligar para os pais, ou amigos queridos e dizer que a saudade é real, ou sair de casa e me acabar em uma garrafa de vinho, o único requisito para acalmar minha mente é um dia tranquilo, silencioso, acompanhada somente por mim e meus livros, e focada no que é importante. Não me levem a mal, mas constatar isso me deixa feliz, aqui ou a um oceano de distância...
                                             Cenário ideal pro meu dia



terça-feira, 3 de julho de 2012

Da série: “Coisinhas mais que italianas”


Nada melhor do que, ao invés de viajar correndo, poder passar um bom tempo explorando e conhecendo as pequenas coisas que tornam cada lugar único! Por enquanto só estamos em Pisa, ainda não pudemos conhecer outras cidades na Itália (em breve...em breve...), mas já dá pra ter um gostinho de como é a Itália, ou pelo menos, a Toscana e reconhecer a “italianice” presente por aí.

- “O aperitivi”: os bares aqui costumam ter um buffetzinho, “l’aperitivi”, em cima do balcão, na primeira vez perguntamos ao garçom, - Quanto é? e que feliz quando a resposta foi, - É só consumir 4 euros e pode comer à vontade. Massas, pastas, frios, torradas, pizza, bolo de batata, salgadinhos, tudo pelo preço da cerveja que já iríamos pedir!! Agora aos sábados já temos nosso jantar garantido!

- “A dona do sebo”: entramos num pequeno sebo à busca de um dicionário, de cara nos deparamos com uma figuraça de uns 50 anos, cabelo armadão, roupa colada e decote transbordando o silicone, salto alto e maquiagem pesadíssima (tipo máscara de carnaval), e ela nos atende muito simpaticamente e vai se embrenhar na poeira das estantes atrás de um dicionário... no mínimo exótico! Mas para completar, no dia seguinte, vemos uma BMW conversível passando no lado da nossa casa e curiosamente quem estava dirigindo era a nossa amiga dona do sebo =O Uma verdadeira “coroa italiana”... rsrs

- “Mc Donalds na Itália”: que satisfação interior ver o mc donalds vazio toda vez que passamos por ele! =D Como em qualquer restaurante você come uma excelente refeição pelo mesmo preço de uma promoção de lá, ninguém o prefere!

- “As roupas masculinas”: está muito difícil reconhecer a diferença de virilidade nos homens daqui... realmente é impossível julgar pela casca! Bermudinhas coladas, curtas e coloridas, blusas justíssimas, acessórios combinando, bolsas estilosas, penteados duvidosos, e sunguinhas coloridas menores que os biquínis de suas acompanhantes... sim, acompanhantes mulheres!!! Como disse... assim fica difícil!

- “A paquera italiana”: porque ganhar garrafa de prosecco ao invés de flores e ouvir ao pé do ouvido - Sei belíssima cara mia e se sentir na novela da Globo não tem preço! ;)

- “O podrão de nutella”: nossa descoberta mais recente e mais perigosa! Às 2 da manhã e mortos de fome encontramos uma birosquinha aberta e eis que nela se encontrava sobre o balcão o maior pote de nutella que eu já vi na minha vida, após segundos para nos recompormos o Davi pergunta - Isso aí é pra comer mesmo? e o atendente (que, diga-se de passagem, era super gatinho) responde - Sim, claro, é nesse pão aqui e puxa um pão redondo do tamanho de uma pizza média, abre o pote gigante, e começa a entupir o sanduíche de nutella... e isso por apenas 2,50 euros... Davi comeu quase chorando de felicidade... eu resisti quase chorando de tristeza!

Quando tiver uma nova listinha...continuo a série! 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

É iniziata a giornata

"Attraversiamo" Foi essa palavra que o universo sussurrou para mim nesses últimos 2 anos. Começou como uma ideia... se transformou em uma vontade... e virou um sonho a ser realizado, experimentar uma cidadania nova, uma cultura nova, uma vida nova. Nesse tempo foi meio difícil explicar para as pessoas em geral o que exatamente iria acontecer, "como assim você vai largar tudo?", eu ria e respondia, "largar tudo o que?" É tão estranho assim querer ver o mundo?! Para mim era inconcebível não fazê-lo. 

E agora estou aqui, na Itália, há quase 2 semanas, e me sinto em casa. Desde o momento que cheguei não foi diferente, eu sabia que não seria, o primeiro almoço no restaurante parecia ter sido ordenado mais 100 vezes antes, a primeira compra de mercado foi sentida como se eu estivesse conhecendo um mercado novo que abriu no bairro, desarrumar a mala e colocar cada coisinha minha em seu respectivo lugar foi tão natural quanto todas as vezes em que a desarrumava após uma viagem rio-cabo frio e dormir e acordar na Itália foi apenas parte de uma rotina já tão corriqueira.


Estabelecemos uma pequena rotina enquanto esperamos em casa pela conclusão da primeira etapa do processo, cozinhamos, estudamos, conversamos, pesquisamos coisas sem parar sobre a Itália, fazemos exercícios, vamos ao mercado, e à noite saímos por aí, caminhando, reparando em cada detalhe e buscando lugares e pessoas a serem descobertos. 


Posso dizer que para apenas 2 semanas eu e meu irmão estamos muito bem... em nossa lista já temos: virar amigo do bartender local, ser bem recebido no bar que já viramos fregueses, assistir à eurocopa com torcedores locais e fanáticos pela Azzurra e comemorar a vitória na praça da cidade, ir a praia e não parecer turista, testar pelo menos 8 gelaterias até agora, descobrir enotecas rústicas e onde comer a pizza margherita mais barata, achar a balada underground que não tem nome nem endereço fixo, fazer novos amigos... e quem sabe algo a mais..., e falar muito mas muito mesmo em qualquer oportunidade que temos de pagar mico com nosso italiano principiante, mas muito bem recebido por italianos felizes em escutá-lo =)



           
                                          passeio de 1º dia

Por esses primeiros dias posso dizer que nos sentimos felizes, de uma forma simples e tranquila.


Eu não larguei tudo, eu apenas dei início à minha busca por mais!