quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Epílogo


“O meu tempo na Itália está próximo de chegar ao fim...”

 Não é uma constatação, nem uma frase pesarosa, e muito menos uma tentativa de exprimir sentimentos negativos ou vontades inerentes, é apenas... uma sensação! Sem demais explicações, motivos, necessidades, perspectivas... ela brota sem aviso, sem pretensão e eu apenas a transformo em palavras.

Apenas sentir... pessoas, períodos, cidades, situações... constatar que isso acontece e dar vazão verbalizando-as, não necessariamente em público, apenas para você, que depois de tantas experiências aprendeu como ninguém a seguir sensações, interpretando-as como um alerta, um momento de escolhas, uma mudança de atitude, uma observação, uma lembrança ou apenas para ela criar consciência e passar a fazer parte de você.

Essa frase me veio essa semana e chamou a minha atenção... não que eu precise fazer algum tipo de escolha; estas, em mim, já foram feitas e traçadas dos últimos 2 anos até os próximos 2, pelo menos. Mas motiva a imposição de um ritmo final, mais forte e mais rápido, um querer que agora tem sabor adocicado, uma determinação para fazer melhor apenas o que já estava no roteiro.

É o momento de olhar esta fase e relembrar o checklist que existia para ela... humm... quase completo... mas ainda tem tempo para o que falta... agora eu só preciso esperar e apreciar, sem tédio ou angústia, com uma motivação nova que aponta na mesma direção e pede por velhos e bons hábitos, e os faz se apresentarem tão bem quanto qualquer novidade arrebatadora faria,  mas com uma pitada de ansiedade para acompanhar.

Esse texto não quer dizer muito para quem lê, não quer dizer muito para mim, apenas nasceu porque eu senti vontade de escrever a minha frase, e ela sentiu vontade do parágrafo seguinte, que sentiu vontade de um acompanhante para não parecer bobo, que sentiu vontade de um final que fizesse ele sorrir.

Sabe mais uma coisa que eu ando sentindo... vontade de me apaixonar...



  olhar P&B

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Uma questão de ponto de vista

O que falar desta última semana, exatamente de sexta-feira (17/08) a sexta-feira (24/08)? Estou com uma crise ferrada de sinusite, que inclui dores de cabeça, maxilar e pescoço; o calor aqui na Itália está torturante e horrivelmente seco, não chove aqui desde abril; tenho dormido mal, obviamente; discuti com alguns amigos essa semana; já perdi dinheiro, dando bobeira, e continuo sem ter previsão de data para planejar minha vida, que esperávamos que fosse ainda em agosto!

Agosto mês do desgosto? Absolutamente não! Na verdade esta semana foi incrível!! rs... por isso decidi comentar sobre ela. Engraçado como as coisas mudam dependendo do ângulo que você as observa, e enquanto eu estava pensando nas coisas boas que aconteceram achei curioso poder ao mesmo tempo fazer a listinha colocada aí em cima.

Uma amiga veio nos visitar, chegando sexta-feira passada, e devido a este episódio “isolado” alguns fatos se desencadearam no decorrer da semana. Conhecemos 3 cidades novas: Lucca, Volterra e Florença, recebemos propostas de emprego, e nossa moradia em Londres está garantida mesmo sem termos data exata para a mudança, ao mesmo tempo em que ajudamos ela a encontrar casa em Londres, que ela já procurava há 2 meses sem sucesso tendo que se mudar semana que vem.

Tivemos pic nic, passeios, festa medieval, degustação de cervejas e comidas alemãs (que ela trouxe de brinde), jantar e sessão de cinema, praia com um pôr do sol indescritível, resoluções de problemas, renovações de expectativas, criação de outras novas, conversas agradáveis, novos e bons contatos feitos, lembranças boas e eternas. E isso em apenas uma semana, de fato, excelente!

Gosto de viajar nos meus pensamentos... será que as coisas teriam acontecido se não fosse o primeiro fato isolado ter iniciado o processo delas? O que aconteceu de importante aconteceria de qualquer forma apenas encontrando outro caminho? O quanto nós somos agentes dos eventos que dão continuidade ao nosso dia a dia? O quanto somos apenas instrumentos? Coincidências, sincronismo, encontros...

Acho que fico um pouco no meio termo, me parece óbvio que tudo que acontece comigo está ligado às minhas ações e escolhas, mas ao mesmo tempo gosto de ver as “coincidências” e os acontecimentos que se desenrolam devido a elas. O importante é estar aberto a ter essa visão e utilizá-las da melhor forma. Encaixar-se no sincronismo que nos rodeia.

O que é que tinha na lista ruim mesmo? Acho que vou ter que ir lá em cima reler. ;)


                                   Uma pena que a foto só capte um décimo da beleza real

sábado, 11 de agosto de 2012

1 ano depois...


Sabina ao despertar esta manhã riu de si mesma com seu primeiro pensamento. Há quanto tempo ela não pensava nele? Não saberia responder, mas hoje, ao acordar, a imagem dele apareceu em sua mente mais forte do que a doce lembrança enevoada a qual ela tinha se habituado nesses meses de distância. Ela resiste a se levantar de prontidão e permite que sua imaginação passeie um pouco mais, porque ela sabe que durante o dia, como juíza de si própria, esses devaneios não mais lhe serão permitidos.

Um ano... há exatamente um ano ela acordou como hoje, mas não sabia que estava há algumas horas de se apaixonar violentamente, de novo sorri, será que ele sabia que no mesmo dia em que se conheceram ela já se viu apaixonada?não...rs ele não poderia saber, e apesar do que aparentava, sua confiança não chegava a esse ponto...não com ela, nunca com ela.

Poderia o universo pregar esta peça uma segunda vez?... não, ela não espera por isso, Sabina se impressiona dia a dia com sua capacidade de ficar tão bem sozinha... seu pensamento volta para ele... aquele sorriso, aquela espontaneidade, como eram bons aqueles dias, aquelas conversas, aqueles toques... saudade, ela verbaliza o sentimento, ela sente saudades daquele momento único que ainda não mereceu ser esquecido!

Um ano... em sua peregrinação mental ela passa pelo 1º dia...pelo 2º, aquela manhã, aquela noitada, aquele jantar, aquela ligação embriagada, aquela msg de saudade, aquele olhar de desejo, enfim, a todos os dias que sua memória lhe permite chegar, e com isso vem as brigas, as desilusões, as promessas quebradas... o fim, como foi doloroso para ela aquele fim...será que foi para ele também? Recorda-se das amigas falando na época,
“sofrer assim faz o resto não valer a pena”... Que absurdas. Ah como valeu, e um ano depois, continua valendo.

O que ele estaria fazendo agora? Ela finge se importar... faz parte da fantasia pensar em como seria o agora se ele ainda estivesse tão perto. A verdade é que ela não sabe mais o que é feito dos dias dele, e não procura saber. Esse choque de realidade a faz abrir os olhos e pensar na roupa que irá vestir para seu primeiro compromisso... facilmente os risos recordados dão espaço à conversa do dia anterior, os beijos à lista do que deve ser feito, e ele... ela sorri novamente, como era delicioso estar com ele... como foi delicioso esse mesmo dia há 1 ano atrás...e enfim ele dá espaço à ela, que volta a si, levanta-se e começa sua rotina, sem fingir que se importa ainda, mas satisfeita com seu breve momento revivido.



"Espantava-se de que, depois de tanto tempo, ainda fosse perseguida pelo mesmo instante perdido" MK

Textinho inspirado por essa frase de Kundera, dita pela personagem Sabina! E também por um algo a mais... 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

London London

Há uns 2 anos atrás eu tracei um plano... "Eu quero morar em Londres". Parece um pouco loucura afinal eu nunca havia estado nessa cidade, e após muitas conversas com meu amigo-irmão (Glauquito), que mora aqui a 3 anos, eu já me apaixonava pela ideia. 

Eu escrevi aqui?! rs É finalmente eu vim conhecer essa cidade tão esperada por mim, após uma tentativa frustrada ano passado eu não aguentei esperar mais um pouquinho - ainda estou morando na Itália e terminando minha cidadania - e vim conhecê-la. Essa cidade me chama, só alguns louquinhos como eu devem entender isso...rs Não tem muito mais o que explicar, ela me chama e só!

Vim passar 10 dias agora, aproveitar alguns amigos na cidade, as Olímpiadas, a viagem do meu irmão, entrega de alguns trabalhos, hospedagem garantida, enfim, muitas coisas convergindo para que eu finalmente viesse...e qual a minha impressão daqui? Londres é incrível, é o meu melhor que eu pude resumir. 

Não resumindo eu já posso ficar algumas horas falando... as ruas tão limpas e agradáveis com seus ônibus vermelhinhos e cabs estilo antigo, as praças cheias de turistas e locais que aproveitam cada pedacinho da cidade no verão, os parques e a sensação de segurança e familiaridade, os monumentos descobertos a cada novo passeio, os museus e suas incríveis coleções, a educação de cada funcionário que te ajuda ou de cada pessoa anônima que esbarra em você na rua e sorri com o seu habitual "sorry", os pubs e suas peculiaridades, o mercado de Covent Garden com apresentações de artistas de rua, quanta gente bonita "Essa cidade é florida", o Rio Tâmisa e sua tranquilidade imponente, os muitos muitos imigrantes criando uma multiplicidade ímpar, o silêncio dentro de um vagão de trem no horário de rush, a organização e a pontualidade britânicas...enfim...só estou aqui há uma semana...rs

Não sou nem de longe alguém que acredita em contos de fada, problemas e vantagens todo lugar possui, mas alguns fazem mais diferença na nossa vida.
Um dia voltando para a casa com o Glauco eu estava no 2 andar do ônibus, que parou em um sinal, e para cada lado que eu olhava via uma vista incrível...ao mesmo tempo o meu amigo deveria estar perdido nos mesmos pensamentos e disse "Essa cidade é foda", eu pensei e falei... "É e daqui a pouco será a minha cidade também" =)



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Da série “Coisinhas mais que italianas” - 2


“O Piquenique na Torre” – pegar uma canga, comidinhas, vinho, baralho ou violão, e apreciar a Piazza dei Miracoli! Muitos grupinhos de amigos largados ao longo do gramado curtindo a noite fresca e a beleza da Torre! Programinha mais que agradável!

“A Empolgação + a Falta de Ritmo” – balada com músicas velhas, ou que não combinam, tipo Michel Teló seguido de Queen... mesmo sem ritmo para dançar eles não param um segundo, divertem-se freneticamente com os braços para cima e descendo até o chão desengonçadamente... homens ou mulheres, heteros ou gays, jovens ou mais velhos, todos com um sorrisão no rosto e pulando com os amigos sem se preocupar se estão dançando bem ou rebolando demais! Divertidíssimo =D

“O DJ animador” – o DJ não está nem aí se para a música da moda, se a musica será bruscamente interrompida para ele colocar outra que não tem nada a ver com a anterior ou se é só para ele falar algo. Eles fazem o que querem, falam no meio das músicas coisas aletórias, “Vamos lá galera, animação!”, trocam as músicas com períodos de silêncio intermináveis,  

“A Siesta” – não tente almoçar em um restaurante às 13h ou 14h porque ele estará fechado!rs A não ser que seja em um local muito turístico, como exatamente em frente à Torre, e só alguns permanecem abertos o dia todo, no geral o comércio fecha de 13h as 16h, almoço + soninho...tá certíssimo!

“Fim de Night no chão da praça” – como no inverno é quase impossível ficar de bobeira ao ar livre os italianos apreciam muito ficar pela rua durante as noites de verão... dar um “giro” pela cidade é o programa preferido em Pisa, “Nos encontramos na Piazza Garibaldi, depois vamos na Vettovaglie, podemos passar pela Piazza Beluomo, e fazemos uma hora para ir na Cavalieri”, é o convite usual para uma noitada..rs Noitada esta, que as 3h da manhã acaba na Praça principal da cidade (Cavalieri) com todos sentados pelo chão ouvindo músicas tocadas pelos estudantes mais desinibidos e negando a cerveja “fresca” dos indianos, que normalmente apresenta a agradável temperatura ambiente, de 35o graus.

                               A Torre à noite, depois de umas taças de vinho