Sabina ao despertar esta manhã riu de si mesma com seu primeiro pensamento. Há quanto tempo ela não pensava nele? Não saberia responder, mas hoje, ao acordar, a imagem dele apareceu em sua mente mais forte do que a doce lembrança enevoada a qual ela tinha se habituado nesses meses de distância. Ela resiste a se levantar de prontidão e permite que sua imaginação passeie um pouco mais, porque ela sabe que durante o dia, como juíza de si própria, esses devaneios não mais lhe serão permitidos.
Um ano... há exatamente um ano ela acordou como hoje, mas não sabia que estava há algumas horas de se apaixonar violentamente, de novo sorri, será que ele sabia que no mesmo dia em que se conheceram ela já se viu apaixonada?não...rs ele não poderia saber, e apesar do que aparentava, sua confiança não chegava a esse ponto...não com ela, nunca com ela.
Poderia o universo pregar esta peça uma segunda vez?... não, ela não espera por isso, Sabina se impressiona dia a dia com sua capacidade de ficar tão bem sozinha... seu pensamento volta para ele... aquele sorriso, aquela espontaneidade, como eram bons aqueles dias, aquelas conversas, aqueles toques... saudade, ela verbaliza o sentimento, ela sente saudades daquele momento único que ainda não mereceu ser esquecido!
Um ano... em sua peregrinação mental ela passa pelo 1º dia...pelo 2º, aquela manhã, aquela noitada, aquele jantar, aquela ligação embriagada, aquela msg de saudade, aquele olhar de desejo, enfim, a todos os dias que sua memória lhe permite chegar, e com isso vem as brigas, as desilusões, as promessas quebradas... o fim, como foi doloroso para ela aquele fim...será que foi para ele também? Recorda-se das amigas falando na época,
“sofrer assim faz o resto não valer a pena”... Que absurdas. Ah como valeu, e um ano depois, continua valendo.
O que ele estaria fazendo agora? Ela finge se importar... faz parte da fantasia pensar em como seria o agora se ele ainda estivesse tão perto. A verdade é que ela não sabe mais o que é feito dos dias dele, e não procura saber. Esse choque de realidade a faz abrir os olhos e pensar na roupa que irá vestir para seu primeiro compromisso... facilmente os risos recordados dão espaço à conversa do dia anterior, os beijos à lista do que deve ser feito, e ele... ela sorri novamente, como era delicioso estar com ele... como foi delicioso esse mesmo dia há 1 ano atrás...e enfim ele dá espaço à ela, que volta a si, levanta-se e começa sua rotina, sem fingir que se importa ainda, mas satisfeita com seu breve momento revivido.
"Espantava-se de que, depois de tanto tempo, ainda fosse perseguida pelo mesmo instante perdido" MK
Textinho inspirado por essa frase de Kundera, dita pela personagem Sabina! E também por um algo a mais...

2 comentários:
Primeiramente, parabéns por enveredar - e tão bem - no estilo!
Que delícia passear por esses pensamentos, por essas lembranças... é leve e é azul. Quando sei sobre elas tudo o que faço é tentar imitar mentalmente o que você viveu, mesmo não chegando nem perto do real... o efeito que te causou é diferente do que o contar causa na gente. Só quem viveu, sabe. Esses eventos de caráter episódico, que como tantos outros poderiam sumir na vastidão dos dias, mas que teimam em explodir como minas ainda hoje.
Se valeu? Quem há de duvidar? Agora é parte de você, juíza. E a distância tem isso de levantar a poeira das coisas.
To be continued...
'' Escolher a nós mesmos, encantando um ao outro. ''
:)
Enviar um comentário